
Um amigo meu, dono de restaurante, me confidenciou que depois que o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes comparou a profissão de jornalista com a de cozinheiro, está pensando seriamente em recrutar esses profissionais diplomados para trabalhar na cozinha de seu estabelecimento.
Convém lembrar que “cozinhar”, no jargão jornalístico, significa reescrever texto publicado em outro veículo.
No cardápio, que passará a ser chamado de “Pauta do Dia”, provavelmente constará de certos pratos exóticos, com nomes sugestivos, tais como: “Manchete Sensacionalista ao Molho Madeira”, “Peixe na Retranca”, “Frango ao Copidesque” e, para acompanhar, que tal um “Cocktail de Última Edição”?
Em substancioso artigo publicado no site Observatório da Imprensa, nesta semana, o jornalista Alberto Dines faz um desafio: Gilmar Mendes, mesmo com seu vasto saber jurídico, sua cultura, sua capacidade de expressar-se com tanta clareza e elegância como também seu conhecimento do idioma alemão, quem teria coragem de contrata-lo para dirigir um jornal?
Dines enfatiza ainda que jornalistas são treinados para a infindável tarefa de reescrever-se continuamente e que nas redações não há tempo para filosofar. Nem há tempo para olhar-se no espelho e reclamar.
Agora, além do fim da obrigatoriedade do diploma, os candidatos a jornalistas que se interessarem por passar pela faculdade terão que estudar mais. No Ministério da Educação, a comissão que analisa as mudanças nas diretrizes curriculares do curso vai propor um aumento da carga horária das atuais 2.700 horas-aula para 3.200 horas-aula.

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